Vejamos em quem acreditar.
Lembram do seqüestro que os índios cintas-largas, da Reserva Roosevelt de Rondônia, praticaram contra 5 pessoas, em dezembro do ano passado, para exigir que policiais federais deixassem suas fronteiras e que um de seus caciques fosse nomeado representante da Funai na região? Foi um escândalo no mundo inteiro.
Pois é, foi simplesmente uma farsa montada para que os índios-milionários-exploradores-de-diamente-pobrezinhos-coitados conseguissem estabelecer mais rapidamente a situação que desejavam transformar em realidade na reserva (liberdade para enriquecer, é claro, lucrando com a exploração e a venda ILEGAIS de diamantes – o que, obviamente, não tem nada a ver com preservação de sua cultura, porcaria nenhuma).
A revista VEJA desta semana, publica reportagem em que mostra um filme sobre o tal seqüestro, feito por um dos índios-pobrezinhos-que-precisa-de-milhares-de-quilômetros-de-terra-para-preservar-sua-cultura, que, não sabendo que esse é o papel que querem que ele cumpra, sabia manejar uma filmadora e filmou o presidente da FUNAI, Márcio Meira, que, bastante tranqüilamente, agradecia "a presença dos seqüestrados” na reserva, em reunião comunitária para as despedidas, no último dos 4 dias que durou o ‘cativeiro’ das ‘vítimas’.
Aparecem falando, também, o espanhol David Martín Castro, um membro do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, que era um dos seqüestrados, “agradecendo a festa e as picanhas” (os índios mataram dois bois para oferecer o que conhecem de melhor às ‘visitas’) e o procurador da República, Reginaldo Trindade, para quem, como se pode bem verificar nos filmes, a lei depende de quem seja o infrator para ser aplicada.
Veja também teve acesso a fotos e a documentos – a maior parte deles, segundo a revista, produzida pelos próprios índios. Um destes documentos seria uma declaração, registrada em cartório pelo cacique Alzak Cinta-Larga, na qual estaria escrito que o procurador Trindade se dispôs a ir até a reserva "por sua livre e espontânea vontade" e a ficar lá "até o comparecimento do presidente da Funai".
Já nas fotos, os reféns apareceriam livres, leves e soltos e, numa delas, se poderia ver o funcionário da ONU tomando banho de rio com seus supostos carcereiros. De acordo com o que revela a revista, os cintas-largas teriam hospedado - e não seqüestrado, como se anunciou na época – o procurador Trindade, que estava, inclusive, acompanhado por sua esposa, em uma casa reservada apenas a caciques, além de ter podido se comunicar com o mundo exterior, usando um telefone celular Globalstar.
Diz a revista Veja: “Apesar da mordomia, (o promotor) nega que o suposto seqüestro tenha sido fruto de um complô: ‘Não sei dizer se foi seqüestro ou não. O fato é que tivemos nossa liberdade de ir e vir restringida’”.
Ora, ora, ora, então, está explicado, não é mesmo?!
E não é que um cacique da tribo dos cintas-largas, o índio Nacoça Cinta-Larga, acabou mesmo sendo nomeado, por Márcio Meira, em janeiro deste ano, representante da Funai na região da Reserva Roosevelt. Conseguiu, né?!
Tem um detalhe muito bem lembrado na reportagem da Veja: Nacoça Cinta-Larga é um dos indiciados pelo assassinato de 29 garimpeiros que faziam extração ilegal de diamantes na reserva, em 2004. Não, os índios não os assassinaram por causa da ilegalidade que cometiam, mas sim porque suspeitavam que não estivessem pagando corretamente pelas pedras. Quanta cultura preservada nas reservas! Uma política indígena digna de exportação!
Como se sabe, até hoje, ninguém foi punido pelos assassinatos e, como relembra Veja, “um dos motivos da demora é o fato de o Ministério Público ter solicitado um laudo antropológico para atestar se os índios tinham consciência do que estavam fazendo”. É, não tinham, não, certamente...
Um outro filme que também chegou às mãos da revista, nesta mesma leva de material, mostra novamente o procurador Trindade, desta vez em 2005, em uma reunião com a etnia suruí, também de Rondônia. Na ocasião, o procurador aparece dizendo que sabe que os cintas-largas exploram pedras preciosas e que os suruís extraem madeira ilegalmente, mas que não pode cumprir a lei, ‘e botar tudo abaixo’, porque, segundo suas próprias palavras no video, sabe ‘das dificuldades econômicas’ dos índios e que estariam ‘cansados de só ouvir promessas’.